O mercado de Seguros de Saúde com tecnologia wearable

Futebol com os amigos no sábado…

 

Os 10 primeiros minutos passam bem, você corre pelas laterais, dá passes em profundidade e até manda aquele golzinho no rebote de um chute.

E a partir do décimo primeiro minuto? Ofegante, andando, mais falando do que jogando. Sim, dá risada, se diverte, esse é o objetivo, certo? É claro que sim. “Mas será que não estou fora de forma?”, você pensa, enquanto beberica sua cervejinha pós jogo. Ao mesmo tempo, aquele cara mais fit geek olha os dados da partida no celular, capturados pelo seu smartwatch.

Quilômetros corridos, calorias queimadas, batimento cardíaco. Só faltou mostrar a caneta que ele te deu nos minutos finais do jogo.

Como se não bastasse, ele comenta, também entre goles de cerveja: “Esse mês vou ter 10% de desconto no meu plano de saúde!”

O que? Como? Por que? Só esse reloginho aí?

Na verdade, aplicativos como Google Fit, Nike+ Running Club e Nike+ Training Club estão disponíveis para quase qualquer smartphone, sem a necessidade de você usar qualquer dispositivo adicional. Mas a onda dos wearables chegou com tudo há alguns anos, e apesar de algumas decepções, ainda temos esperança! Afinal, não é só para fazer headsets de coelho com caixa de som embutida que a tecnologia existe, certo?

Mercado de Seguros de Saúde com tecnologia wearable trazem a transformação digital para o setor

 

E não para por aí. Como o seu amigo chato lá do futebol já percebeu, cuidar da saúde pode ser vantajoso para o bolso. No caso, com desconto em planos de saúde e é claro, em contas médicas.

O mais bem sucedido wearable de todos os tempos

Se você nunca ouviu a expressão wearable, trata-se simplesmente da Internet das Coisas aplicada a itens vestíveis. Relógios, óculos (lembra do Google Glass?), tênis e até camisetas já receberam chips e sensores.

O problema sempre foi achar alguma funcionalidade realmente útil, única e objetiva para esses aparelhos. Ser somente uma interface para o seu celular, guardado no bolso, não é o suficiente. E é claro, não pode ser feio ou atrapalhar a sua vida.

É por isso que, mesmo depois de alguns anos e de lançamentos muito promissores, esse mercado ainda não decolou (e a previsão do nosso chefinho Kleber para 2015 ainda não se concretizou). O Google Glass foi repudiado e várias pulseiras fitness caíram em desuso, por processos de quebras de patentes ou não conseguirem entregar tudo que prometiam.

Mesmo assim, gigantes como Google e Apple continuam avançando nesse mercado, lançando produtos ou pelo menos testando as tendências. Até hoje, um dos wearables mais bem vendidos de todos os tempos foi o Apple Watch.

Sim, aquele que surgiu com um tremendo hype, mas que não atendeu boa parte das expectativas. Bem, as pessoas simplesmente… não sabiam o que fazer com ele.

Nem a Apple.

Afinal, é praticamente um mini celular com uma pulseira acoplada, fazendo tudo que um celular pode fazer (e é caro)

Em todo caso, ele vendeu cerca de 12 milhões de unidades em 2016, o que representaria um market share de 49%. Nada mal, mas também, nada surpreendente.

 

E como eles melhoraram a saúde das pessoas?

 

Eis o problema: não melhoraram em quase nada. Um dos pioneiros nesse mercado, a Nike lançou o FuelBand em 2012, mas saiu do mercado de hardware e ficou apenas nos já citados aplicativos Nike+.

Essa migração se explica por um simples motivo: ao mesmo tempo em que um dispositivo dedicado para essa função é caro e complicado, além de envolver mudar a rotina das pessoas, desenvolver um aplicativo que usa os sensores do celular é muito mais barato, facilmente atualizável e já está integrado ao modo de vida dos usuários.

E enquanto os fabricantes não conseguirem criar as funcionalidades que serão realmente úteis, os smartphones estarão sempre à frente.

Os wearables ficarão, por enquanto, resumidos a nichos. Projetos interessantes, também relacionados à saúde, como o uso de scanners de olho e inteligência artificial (DeepMind, do Google) para detecção precoce de várias doenças são bem legais.

Mas não chegam à maioria dos clientes e são muito difíceis de explorar de forma mercadológica pelas empresas.

Como então aplicar esse tipo de tecnologia no dia-a-dia do grande público?

Talvez uma das melhores respostas seja seguros de saúde com tecnologia wearable. Afinal, muita gente deseja se proteger com um plano de saúde, e a medicina preventiva tem ganho cada vez mais relevância.

 

O seu amigo do futebol estava certo

 

Lembra quando você estava jogando futebol e começaram a falar sobre os descontos no plano de saúde caso o segurado batesse metas de fitness, como calorias queimadas por dia ou quilômetros percorridos a pé?

Não lembra?

Pois se lembra, me conte onde você mora, pois ainda é a exceção no Brasil.

Pintar esse cenário é muito legal e bonito, mas não é a única vantagem que as seguradoras terão com uma estratégia de mobile health apps. Como eu já disse, criar os aplicativos é muito mais fácil e barato que lançar uma pulseira fitness, além de apresentar os seguintes benefícios:

 

Cobranças de taxas menores para os segurados que batem metas de exercício físico

Da mesma forma que as seguradoras podem oferecer seguros automotivos melhores para os melhores motoristas ou seguros residenciais personalizados para quem mora no centro ou na periferia de uma cidade, os segurados mais atléticos e preocupados com a saúde têm a tendência de pagarem menos pelos serviços, certo?

Me parece uma troca bem justa, desde que a empresa que oferece o serviço consiga medir com precisão se as metas estão sendo batidas.

As empresas de seguros precisarão criar sistemas inteligentes de cobrança, usando a enxurrada de dados aplicada a frameworks de Inteligência Artificial.

Felizmente, há diversas APIs que simplificam muito esse processo.

 

O controle nas mãos do segurado

 

Às vezes, há gastos feitos pelo segurado além do plano de saúde. Seja uma consulta realizada além do plano ou alguma taxa misteriosamente aplicada na fatura, não é raro que o cliente sinta algum tipo de frustração em algum momento.

Com os aplicativos de saúde, essa possibilidade praticamente vai embora.

É possível que o aplicativo contenha informações detalhadas sobre os benefícios de que o segurado goza, também é possível consultar clínicas e laboratórios para realização de exames nas redondezas de onde você está, o que diversas seguradoras já oferecem no Brasil.

É claro, o próximo passo é mostrar uma série de estatísticas que podem indicar ao usuário se ele está sendo ativo com seu corpo e mantendo-o em forma, ou está comendo muito e correndo pouco.

O mais bacana é poder contar com APIs de aplicativos fitness que já medem esses dados e não ser necessário implementar medidores e controladores de atividade física exclusivos para o aplicativo da seguradora. Assim, o cliente continua usando o medidor que prefere e só precisa habilitar a integração com o aplicativo do plano de saúde.

 

Retenção de usuários e omnichannel

 

Aqui, me refiro àquela sensação de conforto que sentimos quando usamos um serviço há muito tempo e recebemos tratamento privilegiado ao acessar seus benefícios e vantagens através de qualquer meio, seja o aplicativo, site ou até no ambiente não virtual (no caso, atendimento por telefone, nas clínicas e laboratórios, etc).

Esse é um passo importante para as seguradoras que desejam criar um Efeito Cola, em que o cliente já está tão envolvido com o plano de saúde que escolheu que não deseja mudar para nenhuma outra empresa.

Talvez a seguradora ofereça um serviço de concierge ou planos personalizados ou até mesmo parcerias que oferecem descontos em eventos culturais, como cinema, teatro e shows.

Afinal, é muito mais barato reter um cliente do que adquirir um novo.

 

Aquisição de clientes e crescimento do mercado

 

Mesmo que seja mais fácil manter a atual clientela, o mercado de seguros de saúde ainda é vasto e não explorou todas as camadas sociais. Ainda há uma quantidade enorme de pessoas, principalmente nos países em desenvolvimento, que dependem exclusivamente do atendimento hospitalar.

Muitas vezes, esse atendimento é de responsabilidade do governo, como é o SUS no Brasil.

Sem partidarismos ou julgamentos morais, a verdade é que não existem planos de saúde vantajosos para o usuário tradicional do SUS. Quando digo vantajoso, nem para as seguradoras e nem para os segurados.

Por conta de todas essas novidades tecnológicas, o custo de aquisição de clientes se reduz drasticamente, permitindo que novas estratégias sejam aplicadas. Estima-se que esse mercado irá girar em torno de 26 bilhões de dólares em 2017.

 

As dificuldades na aplicação

Apesar de tudo isso ser mil maravilhas, ainda existe uma série de dificuldades e barreiras a ser conquistadas. E não se engane: a maioria dessas barreiras não é tecnológica.

 

As barreiras de mercado

A tecnologia para aplicar tudo que isso que estou falando no artigo já existe há pelo menos alguns anos. Seja para monitoramento de estatísticas do corpo ou para criação de um serviço de concierge embutido no aplicativo da seguradora, basta que o app seja desenvolvido com algumas APIs.

Uma das maiores inspirações para esse artigo foi a seguradora estadounidense Oscar. O aplicativo é sua plataforma central de negócios, com diversos (ou indo até além) dos benefícios e vantagens que citei ao longo do artigo, oferecidos aos seus clientes.

É a prova de que é possível fazer tudo isso, desde que as condições culturais e mercadológicas sejam favoráveis.

E é nesse ponto que vemos que o buraco é mais embaixo.

 

Regulações e dificuldades culturais

 

Como vivemos no Brasil, não podemos esperar nada fácil caindo do céu.

A questão de gerar dados, que serão usados pelas seguradoras, é bastante complicada. Como garantir que o aplicativo do fulano, que está lá medindo quantos passos você deu em determinado dia, mede de forma precisa?

Ou que você hackeou o aplicativo para ter desconto na fatura do plano de saúde?

Quem é o dono desses dados? O usuário? Ou o aplicativo que o criou? Talvez a própria seguradora, já que ela também usaria tais dados para criar os planos personalizados para você e outros clientes.

Nada disso está claro perante a lei, e há diversos questionamentos pertinentes sobre privacidade, que ainda não temos como responder ou sequer especular.

Há mais debate sobre isso do que nunca, mas ainda estamos longe das conclusões.

Isso também leva as pessoas a serem muito desconfiadas. Há uma forte barreira cultural, em que as pessoas talvez ainda não estejam dispostas a medir tudo que puderem com seus celulares e darem um perfil detalhado de si mesmas às seguradoras.

Afinal, não sabemos o que acontecerá com os dados. E se vazarem?

Apesar disso, parece haver cada vez mais gente disposta a tentar. Dados da Capgemini de junho de 2016 indicam que 43% das pessoas se sentiria confortável em compartilhar com suas seguradoras os dados gerados com wearables, obtendo assim descontos e vantagens.

Portanto, o futuro ainda há muito a revelar para nós mortais.

Fique ligado aqui no Blog para mais sobre esse assunto! Já publicamos nossa visão sobre seguros automotivos e também residenciais. Confere lá, e não deixe de se inscrever em nossa newsletter para receber todos esses conteúdos bacanas do conforto do seu email.

 

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Analista de Comunicação e Marketing ligado em tecnologia e inovação, mas também é Designer que não largou papel e caneta.

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