O que são APIs – Parte 3: A Economia de APIs

Se tanta gente expõe APIs, entre elas as maiores empresas do mundo, deve haver vantagens claras. De onde surge essa Economia de APIs?

O crescimento das APIs

No primeiro post da série O que são APIs, você deve ter visto esse gráfico:

Crescimento exponencial de APIs nos últimos 10 anos

Apesar de ele parar no fim de 2013, sabemos que a curva continua, com força surpreendente. O número total de APIs abertas indexadas no ProgrammableWeb já está em quase 14000.

E é importante notar que são apenas as APIs abertas. Ainda existem outras centenas de milhares de APIs fechadas ou restritas (veja a diferença aqui), e muitas mais surgindo a cada dia.

Como o Kleber já falou no post Cinco passos para uma API de Sucesso, por que alguém exporia dados através de uma API?

Afinal de contas, se tem tanta gente expondo APIs, e se tantas das maiores empresas do mundo expõem APIs (em especial as gigantes nascidas na Internet, como Facebook, Google, Dropbox e Twitter), deve haver vantagens claras. De onde surge essa Economia de APIs?

As vantagens

A lista de pontos positivos para uma empresa expor uma API é grande (como você pode ver nesse post), mas o ponto central está em uma Estratégia de Negócios Digital.

Isso quer dizer que uma API é o ponto de convergência para colocar seu negócio na Internet, à disposição de novos parceiros, clientes e negócios.

A API propicia inovação sobre seus dados, é um atalho para criação de aplicativos mobile, organiza sua estrutura de TI, coloca sua marca em novas mídias e integra seus serviços aos de parceiros.

Se você é do tipo pragmático, deve querer saber como ganhar dinheiro com sua API. Nesse caso, existem aqueles que ganham dinheiro diretamente, cobrando pelo uso da API, e aqueles que ganham através das vantagens que a API proporciona, como os citados no parágrafo anterior.

Portanto, respondendo a pergunta: Por que a Economia de APIs faz sentido?

A resposta é que se a Economia pela Internet faz sentido, se trocas de dados e informações fazem sentido, se a comunicação entre máquinas e pessoas faz sentido, então a Economia de APIs simplesmente faz sentido.

E só vai aumentar.

Os papéis na Economia de APIs

Há três participantes principais dentro da Economia de APIs:

1 – Os Fornecedores

Esses são aqueles que querem expor informações relevantes. Para essa abstração que estamos fazendo, não vale a pena diferenciar o empresário do designer/arquiteto da API, uma vez que estamos vendo pelo lado da exposição somente, ou seja, do fornecimento dela.

Os Fornecedores são os responsáveis por detectar quais informações são relevantes, criar a API e gerenciar ela.

Novamente, é importante ter em mente que a API não necessariamente está aberta para o mundo. Ela pode estar disponível somente para parceiros escolhidos a dedo, ou ainda restrita para uso interno em uma empresa. Cada tipo de API tem aplicações e forças específicas. Caso queira saber quais são, recomendo a leitura desse artigo.

Portanto, para escolher quais informações são relevantes, é importante ter em mente quem será o público-alvo e qual a proposta de valor da sua API para o mundo.

Nos artigos anteriores dessa série, fiz a analogia da API com o garçom de um restaurante. Nesse caso, o público-alvo são os clientes do restaurante, que fazem requisições à API e aguardam pratos como resposta. A proposta de valor em ter um garçom é conseguir interagir com a cozinha de forma prática e veloz.

Nessa API, existiriam endpoints para pedir pratos específicos, alterar pedidos, para pedir a conta, para consultar o menu, chamar o gerente e assim por diante.

Porém, mais do que desejar expor dados, os Fornecedores têm em mente também os ganhos ao fazer a exposição. Como eu disse no começo do artigo, as vantagens podem ser diretas (cobrando pelo acesso à API) ou indiretos (com diversas vantagens como integração com parceiros, organização da estrutura de TI, fortalecimento da marca e novas experiências mobile para clientes). Veja aqui cinco formas de ganhar dinheiro com APIs.

Esses ganhos devem estar alinhados à estratégia da empresa.

Se você tiver interesse em saber mais sobre como criar uma API, confira o Ebook de Blocos de Construção de APIs e o Webinar de Design de APIs. Ambos são gratuitos 😉

2 – Consumidores da API

Os Consumidores da API são as pessoas que tirarão informações úteis da API, com objetivos próprios.

Há uma quantidade bem grande de perfis que consomem APIs, como empresários criando um produto que usa integrações, comunidades de desenvolvedores criando aplicativos em geral (web, mobile, desktop, etc), colegas de empresa acessando dados de outro time, governos procurando melhorar serviços públicos e estudantes criando projetos particulares, assim por diante.

O objetivo desses Consumidores é criar algo novo, com o apoio de APIs. Esse aqui é um elo poderoso da Economia de APIs, porque a existência de APIs permite que sejam criados modelos de negócios completos, baseados em APIs alheias.

Veja nossos artigos sobre mashups e testemunhe quanto é possível criar a partir de APIs de terceiros.

Há um ponto interessante nos Consumidores. O que é criado por eles a partir de APIs pode virar novos negócios (contribuindo para a Economia de APIs), e por consequência, passar também a expor APIs.

Nesse momento, os Fornecedores e Consumidores começam a se misturar, ou seja, quem consome APIs também expõe APIs.

Na prática, é muito comum encontrar empresas usando APIs e também expondo suas próprias.

3 – Consumidores Finais

Esses consumidores são aqueles que não criam nada novo com os dados que eles consomem das APIs. Ou seja, são passivos no ciclo de criação, apesar de serem muito importantes para a Economia de APIs, pois são a massa que alimenta a Economia de APIs com clientes e usuários.

Pense bem: o que o Facebook cria?

Nada!

Redes sociais gigantes como Facebook, Twitter e Instagram tiram seu valor do que é publicado por seus usuários, de forma que seu principal ativo são o número de pessoas engajadas e participantes nas comunidades.

Se não fosse por essas pessoas, as redes sociais não fariam sentido e não teriam valor nenhum. Veja o que aconteceu com o Orkut (RIP), por exemplo.

Outro exemplo são os SaaS (Software as a Service). A Internet está lotada de serviços que cobram seus usuários pelas funções que aplicam. E pode acreditar que a vasta maioria deles está usando APIs para tornar seus negócios possíveis.

Até empresas tradicionalmente offline devem ter presença online. Hoje em dia, é básico ter um site. Mas mais do que isso, as empresas têm sistemas de software internos, para gerenciar processos, projetos, equipes, etc. Tudo isso usa APIs.

Os celulares funcionam com tecnologia de APIs, com diversos sistemas diferentes se comunicando para tornar a experiência de usuário coesa e única. Google Now e Siri são o ápice dessas integrações.

Então, se você nunca teve contato com uma API, e mal sabia da existência dela até pouco tempo atrás, pode acreditar que você vem usando APIs diariamente na sua vida. E junto com uma quantidade imensa de pessoas no mundo, os Consumidores Finais.

Pensando em experiência de usuário, simplesmente não faz sentido que essas pessoas saibam como os sistemas funcionam, desde que funcionem e solucionem seus problemas. Por isso, a maioria das pessoas vai continuar feliz ao usar seu celular, carro e televisão todos os dias, sem ter ideia de que tecnologia de APIs torna esses (e muitos outros) dispositivos possíveis.

O fluxo da Economia de APIs

Portanto, a Economia de APIs segue dessa forma:

Fluxograma do funcionamento da Economia de APIs

Considerando que as previsões de tendências para a evolução tecnológica na Economia mundial giram em torno de Mobile, Cloud, Social, Informações e assim por diante, você deve imaginar a API como a Cola que une cada um e todos. Esse atributos constituem o conhecido Nexus de Forças do Gartner (empresa de consultoria estratégica, famosa pelas previsões de mercado):

Social + Mobile + Cloud + Information = Sucesso!

API funciona como Cola porque permite que cada uma das Forças atue individualmente E integralmente, ao mesmo tempo. Cada Força pode atuar em todo o seu potencial, e quando for necessário, elas podem se integrar e criar algo ainda mais poderoso.

As maiores empresas do mundo estão atuando diretamente nesses quatro pilares, usando APIs como seus centralizadores. Essas empresas são grandes players, tanto gerando APIs quando consumindo para gerar inovação.

Onde você irá se encaixar na Economia de APIs?

Você já é um Consumidor Final de APIs. Você tem seu celular com vários apps, seu computador com outros tantos apps e você acessa sites que fazem transações de dados via API.

Não só na Internet, mas localmente, sua máquina realiza trocas de dados entre Sistema Operacional e programas via API.

Nesse momento, você está conectado à milhares de sistemas diferentes.

Porém, a qualquer instante, você pode dar um upgrade seu papel na Economia de APIs. Se você for desenvolvedor, basta criar uma app. Se você for empresário, arquiteto de TI ou até Diretor de uma empresa, você pode se tornar também um Fornecedor, expondo suas próprias APIs e usando outras como fonte de dados para gerar inovação.

Como eu disse no começo, tudo depende da sua Estratégia. Mas eu posso garantir que APIs possuem vantagens únicas, como poucas outras tecnologias. Cabe a você identificar a melhor oportunidade no seu negócio.

Se quiser uma ajudinha nesse processo, não deixe de entrar em contato conosco. Daremos todo o apoio que você precisa para a criação da sua API 😉

Conclusão

No primeiro post da série, defini API e trouxe a perspectiva Histórica e de como ela é usada. O segundo post foi levemente técnico, mostrando como uma API funciona.

Hoje, falei sobre a Economia de APIs, que traz sentido ao crescimento incrível dessa tecnologia nos últimos anos.

Esses três artigos trazem três caras bem diferentes para o mesmo assunto, tentando cobrir as principais facetas. Mas é claro que não para por aí. APIs são poderosas e complexas.

Podemos falar de diversas questões organizacionais relevantes, como o impacto social de APIs, confiabilidade e segurança, relacionamento entre os seres humanos envolvidos, Marketing para APIs e até questões jurídicas relacionadas à inovação e direitos de uso. Esse assunto vai longe, e acaba fugindo do escopo dessa série.

Se você achou isso interessante, recomendo a leitura de outros conteúdos produzidos pela Sensedia. Ainda temos uma newsletter quinzenal, com mais de 6000 inscritos. Coloque seu nome e email abaixo e receba também, do conforto do seu email 😉

A economia das APIs está com a corda toda! Ainda não sabe tudo que é possível e está sendo feito? Não se preocupe, temos um tutorial, com tudo explicadinho. Basta clicar aqui ou na imagem abaixo para baixar:

Clique para conferir o Bundle de Negócios e Economia de APIs!

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Ricardo Peloi

Estuda Engenharia de Computação na Unicamp, é entusiasta por tecnologia, ciência e produtividade. Entre um post e outro no blog, tenta juntar as pontas soltas da vida com APIs =)

8 Comments

  1. Parabéns pelo artigo Ricardo, vejo muito futuro nas APIs. Economia de APIs foi inclusive o tema de um workshop em SF que participei em março do ano passado ( http://accelapxconference.com/ ), evento lotado e cheio de cases de empreendedores que utilizaram APIs para montar de forma ágil e estratégica o seu negócio.

    • Que bom que gostou, Danilo! Um pouco desse artigo é a visão da Sensedia =)

      Por isso, organizamos um evento focado em compartilhar histórias sobre APIs e desenvolver o assunto em nosso país. É o APIX: http://apiexperience.com.br/

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